sexta-feira, agosto 16

A MEDIAÇÃO ENTRE KAMI E O HOMEM

O conflito faz parte da existência humana e é produzido quando se sente afetado pela ocorrência de algum questionamento. Este questionar pode representar uma oportunidade tanto de identificar problemas, como de resolver questões muito importantes da vida.

O mediador é uma pessoa neutra que investiga a fundo os problemas e auxilia a criar e ou avaliar as opções de solução para as pessoas que assegure um resultado justo e duradouro e que esteja atento ao relacionamento existente entre nós e Kami, encontrando um caminho de respeito e cooperação recíproco. 

Toritsugi em japonês tem como significados mediação, conexão e conciliação. É como um processo de tecelagem contínuo que se dá pelo compartilhamento de interpretações e sentidos, e de pôr em prática os ensinamentos de Kami para a melhoria de nossas vidas.

Por volta dos 40 anos de idade, Konko Daijin transformou uma parte de sua casa em salão dedicado ao serviço de Kami. No local principal da sala instalou um altar onde colocava as oferendas e às luminárias e adornos. Ao lado do altar, colocou uma pequena mesa, de forma que quando estivesse sentado, ficasse de lado tanto para o altar, quanto para os visitantes e adeptos.

Konko Daijin passava o dia à fazer mediação, ouvindo os problemas e pedidos das pessoas, sempre buscando à Kami em oração por uma resposta. Para assim orientá-las na solução de seus problemas dando uma nova compreensão da situação que estivessem passando. 

Na mediação de Konko Daijin, a compreensão dos ensinamentos se dá de forma simples e objetiva. A compreensão da vontade de Kami é transmitida para as pessoas através de exemplos e metáforas da natureza. Assim as pessoas ao receberem o Toritsugi, mediação, de Konko Daijin tinham uma conexão com Kami por meio dos ensinamentos que recebiam.

Com isso, as pessoas refletiam sobre seus pensamentos e ações e podiam corrigir sua maneira de viver, o ensinamento recebido na mediação mostra o caminho para a solução dos conflitos.

Os ensinamentos dados por Konko Daijin não fazem ameaças ou transmitem medo e sim deixam as pessoas tomarem as suas próprias decisões, se concordam ou não com ele, depois de ouvir o ensinamento e fazer uma reflexão. Pois este é o livre arbítrio, o dom que Kami concede a humanidade de escolher para si o seu próprio destino.
Seguindo o exemplo deixado por Konko Daijin, os Senseis da Konkokyo continuam ainda hoje fazendo o Toritsugi, a mediação entre o homen e Kami. Quando você visitar a um salão e fizer à mediação o Sensei irá lhe oferecer um envelope, dentro dele você vai encontrar aproximadamente uma dúzia de grãos de arroz cuidadosamente preparado em um papel especial em forma triangular. O arroz representa as bênçãos de Kami para todos os seres vivos. 

Mesmo sendo uma representação, um símbolo, das bênçãos de Kami e não um amuleto protetor, há muitas experiências de fé, que não podem ser explicadas, se não através da própria fé de cada um de nos no Goshinmai, Arroz de Kami, que muitas pessoas já experimentaram desde a cura de doenças, a proteção de catástrofes financeiras e familiares.

É recomendado aos membros e visitantes da Konkokyo que coloquem o Goshinmai, no espelho retrovisor de seus veículos como um lembrete de sempre dirigirem com o coração agradecido e com a convicção de que Kami os acompanha em todos os momentos. Algumas pessoas o levam quando vão à escola ou mesmo ao trabalho colocado dentro da carteira. Outras pessoas o colocam no altar da família em casa como um lembrete para elevarem seus corações todos os dias.

A etiqueta de reverências à Kami e do Toritsugi (mediação) na Konkokyo

Referências

Toritsugi. Konkokyo no Brasil. Disponível em:<https://sites.google.com/site/konkokyonobrasil/mediacao---toritsugui> Acesso em: 10 dez. 2013.

Um comentário:

  1. Gohan é o que há de mais essencial na culinária japonesa. Base da alimentação diária do país, os japoneses costumam dizer que “sem arroz não dá para viver”. Não há como ficar longe dele no dia a dia do Japão: da bebida alcoólica ao doce, do chá ao cosmético, das cerimônias da Casa Imperial até as festas populares da primavera e do outono, lá está o cereal.

    Chamado de nihon mai, o arroz japonês é um alimento de importante significado na cultura nipônica. Durante séculos o arroz foi usado como moeda no país. Os salários dos samurais eram pagos com arroz e senhores feudais tinham sua riqueza calculada por seus estoques de arroz. Até hoje lutadores de sumô são simbolicamente premiados com arroz.

    No xintoísmo, religião nativa do Japão e base do folclore do país, cordas feitas de palha de arroz são usadas para demarcar locais, árvores e pedras onde acredita-se que haja uma divindade.

    Diz a tradição japonesa que há 88 Kami em cada grão de arroz. Mas há também quem diga que são 7 ou até 108. Independentemente do número de divindades, a crença mostra quão importante é o cereal para os japoneses.

    O calendário tradicional japonês está atrelado ao arroz onde as principais festas tradicionais ocorrem na época do plantio e da colheita, ou seja, na primavera e no outono. Muitas festividades que acontecem no verão são para pedir tempo bom e chuva para dar boa colheita. E os japoneses encerram o ano fazendo mochi, o bolinho de arroz socado, que é usado para fazer a primeira refeição do ano, e o zouni, ou sopa com mochi.

    O arroz também é o centro dos rituais da família imperial: no mês de novembro subsequente à entronização do novo imperador acontece o Oonie no Matsuri, quando o novo chefe de Estado faz oferendas aos Kami e ele mesmo come o arroz. A oferenda é feita em dois espaços, e para cada um deles é escolhido grãos de diferentes partes do país, geralmente um da região oeste e outro da região leste. Após o primeiro ano, o imperador participa do Niinamesai, no dia 23 de novembro, quando oferece os cinco principais cereais aos Kami, para agradecer a safra daquele ano. Em fevereiro acontece o Kinensai, quando o imperador pede boa safra aos Kami, divindades.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...