quinta-feira, janeiro 30

O UNIVERSO, KAMI E VOCÊ

Originariamente, cada religião tem seu próprio conceito de deus, e, segundo os estudiosos de religiões, elas podem ser usualmente classificadas em três conceitos, o monoteísta, o panteísta e o politeísta. Mas segundo Nao Deguchi o conceito de Kami não pertence a nenhuma e ao mesmo tempo a cada um destes conceitos. 

O conceito da Oomoto sobre Kami não é monoteísta, isto é, a convicção de que existe um só deus, como no cristianismo. Nem panteísta, aqui a principal convicção é que deus, ou a força divina, está presente no mundo e permeia tudo o que nele existe, como no budismo. Nem politeísta, que possue diversos deuses, com funções distintas, bem como esferas definidas de responsabilidade. Como a criação de animais e a pesca, o comércio e os diferentes ofícios, o amor e a guerra, podem ter seus próprios deuses a exemplo do hinduísmo. 

O conceito sobre Kami não pertence a nenhuma das três categorias, mas acumula e abrange todos os três conceitos, isto é, monoteísta, politeísta e panteísta. Isto ocorre porque o conceito sobre o Kami deriva do antigo Shinto do Japão e, além disso, é complementado pela nova revelação Divina da Oomoto com um panorama em escala mundial.

Os seguidores da Oomoto reverenciam o Criador do Grande Universo, como o Kami único, absoluto e supremo, da mesma maneira que o monoteísmo. De acordo com a Oomoto, há uma relação essencialmente divina, inquebrantável, entre o Criador e as suas Criaturas.

Com efeito, vê-se que este Kami constitui a substância do Grande Universo e, ao mesmo tempo, o universo todo é impregnado de Sua natureza, e que todo ser é uma manifestação deste Kami, da mesma maneira que no panteísmo. Contudo, a Oomoto não acha que cada ser é o próprio Kami.

De fato, as partículas separadas de Seu Grande Espírito manifestam-se como Kamis incalculavelmente numerosos. Se o compararmos com o corpo humano, isto se assemelha à relação existente entre o todo e as partes.

Referências
DEGUCHI, Nao. Revelações Divinas da Oomoto. São Paulo: Orion Editora, 2000.
GAARDER, Jostein; HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry. O Livro das Religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Um comentário:

  1. Há uma analogia popular usada para mostrar que todas as religiões são caminhos que descrevem Deus.

    A analogia é esta:
    Há quatro homens cegos que encontram um elefante. Já que aqueles homens nunca tinham encontrado um elefante, eles começam a apalpá-lo, buscando entender e descrever esse novo fenômeno. Um agarra a tromba e conclui: é uma cobra. Outro examina uma das pernas do elefante e descreve: é uma árvore. O outro descobre a cauda do elefante e anuncia: é uma corda. E o quarto homem cego, depois de descobrir a lateral do elefante, conclui que é, depois de tudo, uma parede.

    Cada um, em sua cegueira, está descrevendo a mesma coisa: ainda que cada um tenha descrito a mesma coisa de maneiras radicalmente diferentes.

    De acordo com alguns, isso é semelhante às diferentes religiões do mundo – todas estão descrevendo a mesma coisa de maneiras radicalmente diferentes. Desta forma, cada religião é um caminho de busca da verdade igualmente válido na sua essência.

    Esse entendimento poderoso e provocante deve ter algo de verdadeiro, pois se Kami(Deus) é infinito e nós somos finitos, é razoável acreditar que nenhum de nós pode capturar completamente Sua natureza.

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