quarta-feira, abril 8

A ULTRA-RELIGIÃO DA HUMANIDADE

A partir do século XVIII a religião decaiu com o avanço da ciência porque esta dominou a tal ponto a mente humana que o homem só aceita aquilo que tem explicação científica. Ainda há religiões antigas que se esforçam para doutrinar o povo com ensinamentos, mas falta-lhes poder doutrinário por elas estarem distantes da atualidade. Dentre as novas religiões, há algumas que se aproveitam dessas preciosidades históricas adornando-as ricamente, para atrair as pessoas; mas, com certeza, terão seus dias contados.

Diante de tudo isso, é admissível que a religião tenha ficado abandonada por muito tempo, sendo superada pelo maravilhoso progresso da cultura. Exemplificando, é como usar carro de bois numa época de aviões, automóveis e telégrafos.

Como o conhecimento científico caminha velozmente, ao passo que o conhecimento espiritual, baseado na religião, caminha lentamente, a parte espiritual desapareceu do saber humano, tornando o homem indiferente ao espírito, chegando a fazê-lo confundir ciência com civilização, levando-o a se ajoelhar diante do trono da ciência e se satisfazer na sua condição de escravo. O ser humano prova isso entregando nas mãos da ciência, com cega confiança, o que ele tem mais de precioso, que é a vida.

Apesar das mentalidades eruditas terem religião e ciência como coisas distintas e disputarem a supremacia de uma sobre a outra, Mokichi Okada afirma que há um grande erro nesse modo de pensar, pois, a união da religião com a ciência, da civilização espiritual com a cultura material, é que se criará a nova civilização.

Cada religião criou e divulgou os seus protótipos, formas e métodos, adaptáveis aos diferentes povos e países. Evidentemente, as religiões foram criadas sob o desígnio do Kami, para serem condicionadas a determinadas épocas, localidades, povos, tradições, costumes, etc. Graças a essa força, a cultura alcançou o deslumbrante progresso que hoje apresenta. Ao refletirmos sobre esses assuntos, não podemos deixar de levar em consideração os grandes méritos dos fundadores das religiões.

Embora estes tenham evitado a destruição do mundo, é duvidoso que o seu poder seja eficiente para o mundo atual ou para o futuro. Só um número restrito de povos participa dos benefícios da civilização moderna. Sempre venho dizendo que só com a força da religião não se consegue salvar a humanidade. Vejam bem, se a religião realmente salva, o mundo já deveria ter se transformado em paraíso, pelo fato de existir infinitas religiões espalhadas pelo mundo. Mas na realidade, isso não aconteceu e a humanidade ainda continua mergulhada no Inferno.

As religiões podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo da pessoa, o que facilita a formação de seitas. Além disso, quanto mais adeptos tiver uma religião, mais probabilidade ela terá de subdividir-se. A história nos mostra a luta que travaram entre si essas facções.  Assim, não conseguindo captar a essência da fé, os fiéis sentem freqüentes dúvidas, tornando-se difícil alcançarem a verdadeira paz e iluminação espiritual.

E através dos métodos utilizados até agora, não conseguiremos obter a unificação harmoniosa nem mesmo de uma só religião. Conseqüentemente, a unificação de todas elas torna-se uma utopia. Observando somente o Japão, notamos que a tendência atual é aumentar o número de religiões proporcionalmente ao aumento da população.

Cada religião se considera mais elevada que as demais, havendo, também, certa dose de discriminação entre elas. Apesar disso, o objetivo final de todas as religiões é o mesmo; não há uma sequer que não deseje o céu ou o paraíso neste mundo, ou melhor, a concretização do mundo ideal, um mundo onde todas as criaturas sejam felizes.

Outra atitude sobre a qual quero alertar a vocês relaciona-se ao fato de certas pessoas de fé, freqüentemente, evitarem o mundo dos homens, o que é um hábito nada recomendável. Pelo contrário: sempre que possível, procurem assistir a um filme, ouvir rádio, ler jornal, para manterem-se em contato direto com o clima da época em que vivem.

Uma vez conhecendo a sua verdadeira essência, como os cegos que experimentam a alegria de ver a luz, todos despertarão. Por mais saborosa que seja uma comida, é impossível avaliarmos seu sabor apenas ouvindo explicações sobre ela ou olhando-a; antes de tudo, é preciso prová-la. Tenho a certeza de que todos ficarão satisfeitos com o sabor jamais experimentado até então.

Não há sentido uma religião apresentar-se com o nome de nova e seu conteúdo não corresponder a essa designação. Se a religião apenas mudar ou acrescentar, de acordo com o entendimento do seu fundador, algumas interpretações ou sentidos às palavras que há muito tempo vêm sendo ditas em livros ou ensinamentos muito conhecidos, revelados pelo fundador de uma religião antiga, não se poderá dizer que ela é uma religião nova. 

Aliás, conservando as mesmas formas e construções e chegando ao ponto de aconselhar a volta aos ensinamentos desse fundador, ela se distancia cada vez mais da época atual. É impressionante haver quem não ache estranho esse procedimento. Ora, devendo-se voltar à origem, é porque se saiu do caminho certo; caso o fato se repita várias vezes, não se progride nada, ficando em total desacordo com a cultura. Se tiver de lidar com pessoas inteligentes, de nível cultural elevado, principalmente entre a camada jovem, certamente elas não aceitarão uma doutrina cheirando a mofo. Assim, pode-se dizer que, atualmente, a maioria dos seguidores das religiões tradicionais é arrastada apenas pelas tradições e costume.

Porém, observando atentamente a sociedade atual, constata-se que tudo progride rapidamente; não há nada que não esteja acompanhando esse progresso. Entretanto, por incrível que pareça, a religião tem a mais profunda relação com a humanidade, mas continua da mesma forma, não apresentando nenhum progresso. E quando o Mundo de Miroku se realizar, todas as religiões vão sumir, pois não haverá mais necessidade delas.

É indispensável destruir o velho mundo a que pertencemos, para a construção do novo edifício. Faz-se necessária a demolição do prédio velho e a limpeza do terreno. Eis a razão pela qual é importante que o homem se torne útil para o mundo vindouro. Kami guardará aqueles que tiverem essas três grandes qualificações e deles se utilizará como entes preciosos, no mundo que vai surgir:
a) tornar-se um homem verdadeiramente sadio;
b) um homem que se libertou da pobreza;
c) um homem de paz, que odeia o conflito.
Certamente não há discordância entre os desígnios de Deus e os ideais do ser humano.

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